quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A ESTRADA REAL NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

O Caminho Velho dos Paulistas

            Com a descoberta de ouro nas águas do ribeirão Tripuí dentro dos limites da atual cidade de Mariana, expedições originadas da vontade de enriquecimento ganhavam o antigo caminho dos bandeirantes, que partindo da vila de São Paulo de Piratini descia o vale do rio dos Sorobis (atual Paraíba do Sul), passando por São Miguel (aldeamento indígena), Jacareí, Taubaté, importante centro de irradiação das tropas bandeirantes e por terras da atual Guararatinguetá, descendo-o até a “cachoeira”, acidente geográfico onde se situa hoje acidade de Cachoeira Paulista, onde inflexonando para norte atravessava a serra da Mantiqueira pela garganta do Embaú, ganhando assim o vale do rio Verde, serra do Pouso Alto, Baependi, Carrancas, Ibituruna onde atravessava o rio das Mortes, seguindo a direção de São Pedro de Paraopeba.
            Ora, com a necessidade do escoamento do ouro para a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, o velho caminho de São Paulo ficou inviável, posto que longa jornada se fizesse da vila, transpondo a serra do Mar e a baixada Santista até ganhar o litoral. Era preciso buscar um caminho de acesso mais rápido e objetivo que viesse a coibir a criação de descaminhos evadindo assim grande parte da produção aurífera.

O Caminho Velho

Parati - Rua do Fogo
          Parati, cujo aparecimento se fez no final do século XVI em pequena vila erguida onde hoje se encontra o forte Defensor Perpétuo, parecia ser a mais indicada saída para o litoral.
          Com a transferência da vila para a baixada situada entre os rios Matheus Nunes e Perequê-açu (que ofertava bom porto), foi viabilizada uma antiga trilha usada pelos índios Guaianases, que galgando a serra alcançava a Freguesia do Facão, atual cidade de Cunha, já em território paulista, indo se juntar ao velho caminho dos bandeirantes na localidade de Taubaté, posteriormente deslocado para Guaratinguetá, tornando-o menos moroso.
   O tricentenário calçamento
Penha - onde vai ter o Caminho Velho
        Embarcado em navios no protegido porto dentro do rio Perequê-açu, o ouro seguiria navegando em segurança nas mansas águas das baías de Angra dos Reis e Sepetiba até o porto situado nesta última, em sítio próximo à fazenda dos Jesuítas, donde ganhava o Rio de Janeiro pela Estrada Real de Santa Cruz.
         
        Esta via além de dispensar enorme tempo de viajem, via-se constantemente à mercê de piratas estrangeiros que com embarcações mais ligeiras, espreitavam protegidos pelas inúmeras ilhas existentes no percurso e atacavam saqueando toda preciosa carga. Urgia a abertura de novo caminho.


O caminho Novo

          Coube a Garcia Rodriguez Paes, filho do bandeirante e atual Guarda Mor das Minas Geraes, Fernão Dias Paes o lendário “Caçador de Esmeraldas” a tarefa de abrir o Caminho Novo tão bem descrito por Antonil em seu perseguido livro “Cultura e Opulência...”. Este caminho partindo da Borda do Campo no atual município mineiro de Antonio Carlos, ganhava as terras do grande latifúndio dos Paes, atravessava o rio Paraibuna em Monserrat (Levy Gasparian), galgava a serra das Abóboras indo dar às margens do rio Paraíba do Sul onde em sítio fronteiro ao rio foi erguida uma capela, orago de S. Pedro e S. Paulo e a casa senhorial da fazenda núcleo embrionário da atual cidade de Paraíba do Sul.
           Apesar de ter encurtado o tempo e a distância entre a região aurífera e a cidade do Rio de Janeiro, pecava o Caminho Novo pelo longo trecho praticado em canoas ao rio Morobai onde freqüentemente se viam alagadas com extravio da carga e a penosa subida da serra do Couto, da localidade de Manuel do Couto (Xerém) até as roças do Capitão Marcos da Costa, topônimo que perdura até o tempo atual.
           Convidado para realizar a empreitada de abrir um caminho que levasse diretamente ao fundo da baía de Guanabara, Garcia Paes já sexagenário, alegou cansaço e saúde abalada, recusou contrariando uma ordem régia no que foi sumariamente retalhado quando do pedido de mais terras para dilatar seu poderoso latifúndio, conforme o relatado na Provisão Régia de 6 de julho de 1725:

                                                                                                                                     “Dom João por graça de Deus Rei de Portugal e dos
Mapa das Minas do Ouro...
                 Algarves, daquem e dalem mar em África, Senhor...
                 ........................................................................................
                 , vendo o dito Garcia Rodrigues que o dito caminho já
                  estava aberto vos requerera o inteirásseis das léguas
                  que lhe faltavam em cumprimento da minha real ordem
                  a cujo requerimento respondereis que como ele não
                  tinha aberto o caminho à sua custa, não tinha lugar o dito
                  requerimento...
                                    
Caberia a Bernardo Soares de Proença, fazendeiro sitiado nas terras banhadas pelo rio Suruí, o intento que em muito contribuiria para definitivamente alinhar o rumo dos caminhos para as Minas Geraes.



sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A LIBERDADE DE MANOEL CONGO

Conta a história que no ano de 1838 partiram da fazenda da Freguesia, hoje Arcozelo, 300 escravos liderados pelo africano Manoel Congo, e dirigiram-se para os matos da serra de Santa Catarina (hoje cercanias do Vale das Videiras), onde fundaram um quilombo, coroando rei o seu líder e Mariana Crioula, rainha.
Contra eles marchou uma força da Guarda Nacional sob o comando do Cel. Francisco Peixoto de Lacerda Werneck que, apesar de heróica resistência negra, desbaratou os escravos em 11 de novembro de 1838. Manoel Congo foi enforcado em praça pública há 6 de setembro de 1839, seus parceiros condenados a severas penas e Mariana Crioula, absolvida, retornou à fazenda da Freguesia.

      Seguindo os passos do líder da maior revolta negra no meio rural no Brasil império, vivenciaremos a saga dos quilombolas a caminho da tão sonhada liberdade.
Será explorada toda a região do Caminho Novo (1704), onde o café se fez presente, acumulando cerca de 70% da riqueza do país na primeira metade do século XIX. 
      Roteiro caracterizado por visita a fazendas históricas, sítios arqueológicos e propriedades rurais. O percurso poderá ser feito em jeep ou bicicletas a partir do centro do Vale das Videiras.

A SAGA DOS COLONOS GERMÂNICOS

"Descendo pela Estrada Normal da Estrela, que os imigrantes do brigue Justine ajudaram a construir, percorreremos todo o Sítio Histórico no caminho para a futura Petrópolis.
Visitaremos o Porto, o Caminho, a Igreja, a Hospedagem, a Fábrica... tendo a sensação de revisitada a saga dos pioneiros que demandavam rumo ao desconhecido."

                                                                            Porto da Estrela

 Foto - Maria da Conceição Rosa