O Caminho Velho dos Paulistas
Com a descoberta de ouro nas águas do ribeirão Tripuí dentro dos limites da atual cidade de Mariana, expedições originadas da vontade de enriquecimento ganhavam o antigo caminho dos bandeirantes, que partindo da vila de São Paulo de Piratini descia o vale do rio dos Sorobis (atual Paraíba do Sul), passando por São Miguel (aldeamento indígena), Jacareí, Taubaté, importante centro de irradiação das tropas bandeirantes e por terras da atual Guararatinguetá, descendo-o até a “cachoeira”, acidente geográfico onde se situa hoje acidade de Cachoeira Paulista, onde inflexonando para norte atravessava a serra da Mantiqueira pela garganta do Embaú, ganhando assim o vale do rio Verde, serra do Pouso Alto, Baependi, Carrancas, Ibituruna onde atravessava o rio das Mortes, seguindo a direção de São Pedro de Paraopeba.
Ora, com a necessidade do escoamento do ouro para a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, o velho caminho de São Paulo ficou inviável, posto que longa jornada se fizesse da vila, transpondo a serra do Mar e a baixada Santista até ganhar o litoral. Era preciso buscar um caminho de acesso mais rápido e objetivo que viesse a coibir a criação de descaminhos evadindo assim grande parte da produção aurífera.
O Caminho Velho
| Parati - Rua do Fogo |
Parati, cujo aparecimento se fez no final do século XVI em pequena vila erguida onde hoje se encontra o forte Defensor Perpétuo, parecia ser a mais indicada saída para o litoral.
Com a transferência da vila para a baixada situada entre os rios Matheus Nunes e Perequê-açu (que ofertava bom porto), foi viabilizada uma antiga trilha usada pelos índios Guaianases, que galgando a serra alcançava a Freguesia do Facão, atual cidade de Cunha, já em território paulista, indo se juntar ao velho caminho dos bandeirantes na localidade de Taubaté, posteriormente deslocado para Guaratinguetá, tornando-o menos moroso.
| O tricentenário calçamento |
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| Penha - onde vai ter o Caminho Velho |
Embarcado em navios no protegido porto dentro do rio Perequê-açu, o ouro seguiria navegando em segurança nas mansas águas das baías de Angra dos Reis e Sepetiba até o porto situado nesta última, em sítio próximo à fazenda dos Jesuítas, donde ganhava o Rio de Janeiro pela Estrada Real de Santa Cruz.
Esta via além de dispensar enorme tempo de viajem, via-se constantemente à mercê de piratas estrangeiros que com embarcações mais ligeiras, espreitavam protegidos pelas inúmeras ilhas existentes no percurso e atacavam saqueando toda preciosa carga. Urgia a abertura de novo caminho.
O caminho Novo
Coube a Garcia Rodriguez Paes, filho do bandeirante e atual Guarda Mor das Minas Geraes, Fernão Dias Paes o lendário “Caçador de Esmeraldas” a tarefa de abrir o Caminho Novo tão bem descrito por Antonil em seu perseguido livro “Cultura e Opulência...”. Este caminho partindo da Borda do Campo no atual município mineiro de Antonio Carlos, ganhava as terras do grande latifúndio dos Paes, atravessava o rio Paraibuna em Monserrat (Levy Gasparian), galgava a serra das Abóboras indo dar às margens do rio Paraíba do Sul onde em sítio fronteiro ao rio foi erguida uma capela, orago de S. Pedro e S. Paulo e a casa senhorial da fazenda núcleo embrionário da atual cidade de Paraíba do Sul.
Apesar de ter encurtado o tempo e a distância entre a região aurífera e a cidade do Rio de Janeiro, pecava o Caminho Novo pelo longo trecho praticado em canoas ao rio Morobai onde freqüentemente se viam alagadas com extravio da carga e a penosa subida da serra do Couto, da localidade de Manuel do Couto (Xerém) até as roças do Capitão Marcos da Costa, topônimo que perdura até o tempo atual.
Convidado para realizar a empreitada de abrir um caminho que levasse diretamente ao fundo da baía de Guanabara, Garcia Paes já sexagenário, alegou cansaço e saúde abalada, recusou contrariando uma ordem régia no que foi sumariamente retalhado quando do pedido de mais terras para dilatar seu poderoso latifúndio, conforme o relatado na Provisão Régia de 6 de julho de 1725:
“Dom João por graça de Deus Rei de Portugal e dos
Algarves, daquem e dalem mar em África, Senhor...
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, vendo o dito Garcia Rodrigues que o dito caminho já
estava aberto vos requerera o inteirásseis das léguas
que lhe faltavam em cumprimento da minha real ordem
a cujo requerimento respondereis que como ele não
tinha aberto o caminho à sua custa, não tinha lugar o dito
requerimento...
Caberia a Bernardo Soares de Proença, fazendeiro sitiado nas terras banhadas pelo rio Suruí, o intento que em muito contribuiria para definitivamente alinhar o rumo dos caminhos para as Minas Geraes.


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